Vasco avança venda do SAF a Lamacchia por R$ 2 bilhões até 2026

Vasco avança venda do SAF a Lamacchia por R$ 2 bilhões até 2026

O Vasco da Gama, Rio de Janeiro acelerou os bastidores em direção a um dos maiores negócios já vistos no futebol brasileiro: a venda da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para o empresário Marcos Faria Lamacchia. O valor girar à faixa dos R$ 2 bilhões, mas a data de fechamento ainda depende de ajustes finais entre as partes envolvidas. A janela de oportunidade abre-se para março ou abril de 2026, segundo as fontes mais confiáveis apuradas pela reportagem.

Marcos Faria Lamacchia não é qualquer nome nesse cenário. Aos 47 anos, ele é filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e genro político de uma figura central no futebol paulista: Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Essa conexão, embora familiar, não garante nada automaticamente. O processo tem sido conduzi direto pelo Pedro Paulo de Oliveira, Pedrinho, presidente vascaino, que já sinalizou otimismo na imprensa sobre o avanço das tratativas.

Quem é o investidor e qual o vínculo?

Aqui está o pulo do gato. Lamacchia tem histórico empresarial forte, mas sua entrada no mundo do futebol exige cuidado. Ele é sobrinho-neto do patriarca da família Lamacchia e mantém laços fortes com o meio empresarial do Rio. Não se trata apenas de "colar" o clube numa carteira de investimentos. As negociações, que arrastaram desde o segundo semestre de 2025, focam em três pilares fundamentais: quitar dívidas, garantir competitividade técnica e infraestrutura física.

O que impressiona é o volume de capital envolvido. O plano prevê aplicação de R$ 2 bilhões distribuídos ao longo de cinco anos, começando em 2026 e indo até 2030. Isso não é dinheiro mágico do nada. A operação visa sanar o rombo atual, que gira em torno de R$ 1 bilhão de dívidas concentradas majoritariamente em processos de recuperação judicial. Parte desse passivo deve ser paga em prazos mínimos de dez anos, conforme acordado previamente com credores.

A estrutura financeira do acordo

Vamos aos números frios. O clube possui atualmente cerca de 30% da própria SAF em mãos, enquanto 31% pertencem à 777 Partners, agora controlada pela A-CAP. Após a ruptura com a operadora anterior em 2024, o Vasco ficou sem um investidor definitivo por quase 18 meses. Esse vácuo gerou restrições financeiras severas, limitando o time na contratação de jogadores e no pagamento de fornecedores antigos.

O novo investidor, portanto, precisa assumir esse legado complicado. O acordo já define como será composta a dívida tributária e o plano de pagamentos trabalhistas. Mas há um gargalo imediato: o fluxo de caixa. O Vasco captou cerca de R$ 80 milhões através de um DIP (financiamento para empresas em recuperação), recursos que devem terminar logo no início de 2026. Sem essa nova injecção de capital, a sustentabilidade operacional fica comprometida antes mesmo da temporada começar.

O cenário interno e a burocracia

O cenário interno e a burocracia

Não espere unanimidade, aliás. Mesmo com o presidente Pedrinho empolgado, existem debates dentro do conselho administrativo do clube. A venda da SAF mexe com a alma associacionista do Vasco. Além disso, existe a barreira regulatória. A proposta precisa passar pela chancela da ANRESF, Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol.

Criada pela CBF, essa agência fiscaliza o fair play financeiro. Se houver suspeita de lavagem de dinheiro ou inconsistências nas fontes dos recursos de Lamacchia, o processo pode travar. Até o momento, os documentos minutas estão sendo trocados entre as partes para formalizar a transferência de 90% das operações de futebol. Ninguém quer repetir erros passados onde estruturas ficaram indefinidas.

O que vem depois

O que vem depois

Com a negociação avançando, o foco muda imediatamente para a reformulação do estádio São Januário. Parte dos R$ 2 bilhões é destinada especificamente para completar as obras pendentes no ginásio da rua Paquetá. Isso é vital para gerar receita de ingressos e patrocínios futuros.

No curto prazo, o Vasco busca um novo DIP Loan para manter as contas pagas até o fechamento final da venda. A urgência é real. Enquanto isso, nem o grupo Lamacchia nem a diretoria vascaína fizeram comunicados oficiais robustos, preferindo aguardar o desenrolar dos últimos detalhes técnicos e jurídicos. Resta torcer que o mercado receba bem a notícia e que o time sofra menos na tabela.

Perguntas Frequentes

Qual é o valor total do investimento proposto para o Vasco?

O projeto envolve um aporte projetado de R$ 2 bilhões, que será aplicado em etapas ao longo de cinco anos, iniciando em 2026 e estendendo-se até o ano de 2030.

Quem é Marcos Lamacchia?

É um empresário de 47 anos, filho do fundador da Crefisa e enteado de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras, buscando investir na área do futebol.

O Vasco está endividado atualmente?

Sim, o clube possui dívidas superiores a R$ 1 bilhão, grande parte vinculada a processos judiciais e recuperações fiscais que precisam ser refinanciados.

Quando a negociação deve ser concluída?

A projeção atual aponta para o fechamento definitivo entre março e abril de 2026, dependendo da aprovação do conselho e da ANRESF.